Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica temporalmente associada à Covid-19: perfil epidemiológico dos casos notificados ao Ministério Saúde no primeiro ano de monitoramento - Brasil, 2020-2021

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Antecedentes:
Em maio de 2020 a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou aos países sobre a identificação de uma manifestação clínica grave em crianças/adolescentes previamente saudáveis, potencialmente associada à Covid-19, e recomendou a vigilância de casos suspeitos. No Brasil, a vigilância nacional da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica temporalmente associada à Covid-19 (SIM-P, MIS-C em inglês) foi implantada pelo Ministério da Saúde em 24/07/2020, com participação do FETP-Brasil (EpiSUS). Este trabalho tem como objetivo descrever o perfil epidemiológico dos casos de SIM-P notificados no Brasil no primeiro ano desta vigilância.

Métodos:
Estudo descritivo dos casos de SIM-P notificados ao Ministério da Saúde, de 24/07/2020 a 24/07/2021. Adotou-se a definição de caso confirmado da OMS.

Resultados:
Foram notificados 2.044 casos, sendo 1.158 (57%) confirmados para SIM-P, 615 descartados e 271 permanecem em investigação. Entre os confirmados no período do estudo, a incidência foi 1,8/100.000 habitantes <20 anos; a idade mediana foi cinco anos (0-19), 57% eram do sexo masculino; 74% não apresentaram comorbidades prévias; 60% tiveram sorologia reagente para SARS-Cov-2 e 25% RT-PCR detectável. O tempo mediano de internação foram nove dias; 61% necessitaram terapia intensiva; 65% receberam imunoglobulina, 60% corticoide e 40% anticoagulante; 83% evoluíram para alta hospitalar e a letalidade foi 6% (n=69). Os casos foram notificados em todos os estados, sendo a maioria em São Paulo, Minas Gerais e Bahia, contudo a maior incidência foi no Distrito Federal (6,6/100.000 habitantes <20anos). Sintomas gastrointestinais foram descritos em 85% dos casos, respiratórios em 65% e cardiológicos em 59%.

Conclusões:
A implantação da vigilância nacional permitiu a caracterização da SIM-P no Brasil. Foi identificada diversidade clínica e elevada letalidade no país quando comparado aos Estados Unidos da América e a países europeus. Recomenda-se assistência especializada multiprofissional, terapêutica oportuna, seguimento para detecção de possíveis sequelas e o fortalecimento da vigilância no âmbito estadual.

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